Sumário  

Capítulo 1 – Funcionamento manual da câmera (você está aqui)

Capítulo 2 – Fotometria – Medindo luz

Capítulo 3 – Photoshop – Técnicas aplicadas à fotografia

(clique no capítulo para abrir)

 

Capítulo 1 – Funcionamento manual da camera

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A câmera digital deve possuir este modo M, este deve ser um cuidado a ser tomado na hora da escolha da sua digital.

Abertura do Diafragma

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O disco seletor do diafragma

O que é?

Um orifício que controla a quantidade de luz que entra na câmera. Ele trabalha de forma similar a pupila do olho humano, dilatando e contraindo para ajustar a luminosidade. O diafragma situa-se na armação da objetiva em forma de um anel.

Sua Utilização:

São três características fundamentais:

•Controlar a profundidade de campo (explicação adiante)

•Um dos dispositivos que regulam a exposição da foto, deixando a foto mais clara ou mais escura.

•A variação do diafragma altera a nitidez. Cada lente tem uma abertura ideal para se alcançar a máxima nitidez.

O controle da abertura:

•O Diafragma é controlado por lâminas que se sobrepõem. O tamanho da  abertura é medidos de acordo com o “número F “ , exemplos  :  F1.2 F2.8 F5.6 F8.0 F16…. Quanto menor o número F, maior é a entrada de luz e vice-versa.

Pontos ou Stops

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Veja o fotômetro no viewfinder ou pelo LCD de sua camera.

Mudando somente o diafragma, podemos notar que o valor da régua da exposição se altera. Essa régua pode ser vista olhando pelo Viewfinder da câmera ou dependendo da câmera no LCD.Lá você irá identificar a régua da exposição. OBS: Lembrando que outros controles como velocidade do obturador e o ISO também alteram a régua.

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Figura 1

Note que a indicação da régua está parada no quadrado marcado acima (em vermelho) indicando 1 STOP ou 1 PONTO.A variação dos pontos indica que a luminosidade foi dobrada ou  reduzida a metade.Neste caso (figura 1) a exposição provavelmente ficará um pouco escura pois ela indica -1 STOP.

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Figura 2

Aqui acontece o contrário, a exposição provavelmente ficará um pouco mais clara. Já que a régua mostra +1 STOP. Exemplos de fotos somente com o diafragma alterado.

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*OBS:  1/60 indica a velocidade do obturador que será tratado mais adiante.

OBS 2: a indicação do “0” na régua não garante sempre que a exposição está correta. Logo adiante aprenderemos que é a fotometria bem feita que determina uma boa exposição.

Cuidados

Nitidez

Pequenas aberturas do diafragma como F1.4 , F1.8 por exemplo, geralmente apresentam resultado  óticos de menor nitidez se comparado a outras aberturas.A seguir um gráfico da lente mostrando o desempenho da nitidez em diferentes aberturas.Mas isso não signifique que essas aberturam se tornem inúteis muito pelo contrário, iremos ver o porquê no próximo item.

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A barra roxa escura demonstra a nitidez no centro , e a clara nas bordas

Difração

Difração é um fenômeno que ocorre quando as ondas passam pelo diafragma muito fechado, mudando levemente a sua trajetória ocasionando perda de contraste , nitidez etc. E nas SLR mais comuns com sensor cropado, a partir do F11 já começa a danificar as imagens.

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Profundidade de campo

O que é?

A profundidade de campo é a área à frente e atrás do plano focal de uma imagem que conserva uma nitidez aceitável. Visualmente ela pode ser reconhecida pelo desfoque que ela ocasiona . Uma pequena profundidade de campo significa uma pequena área nítida do assunto, e vice-versa.

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Efeito da pequena profundidade de campo. Se todas as letras estivessem legíveis seria grande profundidade de campo.

Grandes Profundidades – Número F alto

Nas fotos de paisagem e arquitetura , geralmente usa-se uma abertura intermediária (F8.0 , F10 por ex) que produzem ótimas profundidades e uma boa nitidez em toda foto. Como já foi dito evite fazer fotos aberturas mínimas do diafragma (F16 , F22), pois a entrada da luz dela lente pode sofrer difrações e causar danos na imagem.

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Pequenas Profundidades – Número F pequeno

O uso do desfoque é muito utilizado em retratos e em fotos animais com o objetivo de valorizar o primeiro plano. Em estúdio fotógrafos usam pequenas profundidades também em fotos de culinária para realçar uma parte decorativa de um prato, sem contar que geralmente a estética fica mais agradável. Ao usar a flexibilidade dessa técnica , você pode desfocar parte da imagem, eliminando de forma suave algo que irá aparecer no enquadramento mas que não tenha tanta  importância quanto o assunto principal dando mais relevância naquilo que você deseja. Um fundo confuso e poluído pode-se tornar um padrão difuso, que não chame a atenção. Em locais pouco iluminados como ambientes internos ou em penumbras, o fotografo em certas situações prefere fazer a foto sem flash e diminuir o “número F” para captar a luz do local.

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Pequenas profundidades para dar a sensação de tridimensionalidade artificial.

Fatores determinantes na profundidade de Campo

Distancia focal da lente

Ex: uma lente 24mm fixa possui uma grande profundidade de campo por abranger um maior enquadramento, e uma de lente 85mm fixa uma profundidade pequena.

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Foto feita com uma lente 18-70mm , em 18mm.Note que a nitidez aceitável está desde o primeiro plano até o último.

Abertura do Diafragma

O diafragma é um importante controlador da profundidade de campo, pois sob uma mesma distancia focal da lente e uma mesma distancia do assunto é possível alterar a intensidade do desfoque pretendido

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F8.0                                             F5.6                                         F2.8

 

Distancia de focalização do objeto

Quanto mais perto você estiver do assunto, menor a profundidade de campo. Ex : Fotos macro possuem uma pequena profundidade , e uma paisagem a profundidade é bem maior.

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Macrofotografia e a pequena profundidade de campo

Tamanho do sensor da câmera

Sensores pequenos têm menor profundidade de campo e vice-vera. Nas câmeras compactas por terem um sensor pequeno demais, elas vêem acompanhadas de distâncias focais bem menores para cobrir o mesmo ângulo de visão que uma SLR cobre. Uma SLR com uma lente 50mm é possível enquadrar boa parte do corpo de uma pessoa. Já nas compactas 50mm é close.É por esses motivos que uma compacta de até 5x de zoom não produz desfoque a não ser no modo macro eu em retratos com muita aproximação do assunto.

Profundidade de Campo nas Compactas e Ultrazooms.

Para conseguir um desfoque razoável nesses tipos de câmera há configurações somadas que ajudam para que o efeito apareça:

• Usar o maior zoom ótico possível  •Maior abertura possível (menor número F)

• Tente aproximar mais do assunto

• Quanto mais distante o fundo estiver, mais ele ficará desfocado.

• Use o modo macro na sua distancia máxima de foco.

• Observe que quanto maior o sensor da câmera, mais fácil obter o efeito. Devido à relação sensor/distancia focal.

Obturador – Controlando o Tempo de Exposição

 O que é?

 É um dispositivo mecânico que se abre e fecha controlando a quantidade de luz que atinge o sensor, podendo alterar a exposição da fotografia. O mais comum das SLR é o obturador de plano focal, que se encontra no corpo da câmera à frente do sensor. Seu principal objetivo na maioria das vezes consiste em consiste em “congelar“ a imagem.Porém em algumas situações deseja-se passar uma sensação de movimento do objeto.

 Controlando a Velocidade

O controle da exposição é feito através da rapidez ou da lentidão em que o obturador atua. A representação da velocidade na câmera é dada em frações de tempo em segundos como 1/2000s ; 1/500s ; 1/60s ; 1/2s ; 2s etc . O valor do obturador (também chamado de cortina) pode ser visualizado no Viewfinder , LCD ou na tela de cristal liquido.

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Velocidades Altas

São usadas para captar movimento bruscos como: cenas de esporte, movimentação de animais, crianças agitadas etc.Algumas velocidades consideradas altas: 1/2000 ; 1/500 ; 1/250 ; 1/100 ; 1/60 (média)

Exemplo:

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Foto tirada com obtutador com 1/1000 de velocidade

Velocidades Baixas

Usada em fotos noturnas de paiagem sem falsh, fotos de cachoeira dando o efeito “véu de noiva”, ou para demonstrar uma sensação de movimento do tema.São consideradas velocidades baixas 1/10 – 1/2 – 1s – 10s.

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2s de obturador – Condiçoes precárias de luz propiciam velocidades mais baixas

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1/10 de velocidade para enfatizar o movimento.

Tripé

Indispensável em fotos noturnas, ele auxilia no apoio da câmera e da objetiva possibilitando velocidades muito lentas de obturador sem que o assunto (estático) fique tremido.Geralmente a luz natural sempre é mais agradável do que um disparo com o flash (principalmente o embutido). Sempre que você contar com o auxílio do tripé, use-o. O uso da velocidade deve ser dominado pelo fotografo, pois com o aumento ou diminuição da velocidade a exposição da imagem é alterada. Ex:

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A escolha da velocidade dependerá:

• Distancia focal da lente

Se a lente não tem estabilizador de imagens você deve observar a distancia focal da lente  para escolher a velocidade do obturador. Ex: lente em 100mm escolha velocidade de 1/125 ou mais rápido ; 300mm escolha velocidade de 1/320 ou mais.

• Das condições de luz do ambiente ,pois em locais pouco iluminados (com assuntos estático e sem flash) o fotógrafo normalmente escolhe uma velocidade baixa. Cada fotógrafo tem uma resistência para segurar a câmera sem que a foto fique tremida. Em fotos sem o tripé que pedem baixa velocidade, cada um deve conhecer o seu limite. Algumas pessoas usando uma lente 50mm conseguem uma  boa nitidez, com 1/20 , 1/30 de velocidade, o que não é indicado para a maioria das pessoas porque quando o fotógrafo amplia a foto no LCD ou no computador percebe-se a falta de nitidez. Por segurança use o disparador automático da câmera em 2s, pois o simples movimento de apertar o botão, pode fazer com que a foto fique tremida , e também procure um lugar para se apoiar.

Dica: Lente que possue estabilizador de imagens pode substituir o tripé em velocidades baixas como 1/10 ou 1/20 usando em 70mm, favorecendo o ganho de luminosidade.

• Da rapidez e direção do objeto fotografado. A direção do objeto também deve ser levada em conta , pois o cuidado com o deslocamento na horizontal deve ser maior do que com um deslocamento em sua direção.

• Aproximação do assunto. Quanto mais proximo do objeto maior deverá ser a velocidade do obturador.

ISO – Sensibilidade

O ISO no caso das digitais representa a latitude luminosa variável da mídia. Ele é um controlador da sensibilidade do sensor em relação à captação da luz. Ele também ajuda a regular a exposição da foto com ajustes que partem do ISO100 até 6400 ou até mais. Quanto maior o ISO maior é a sensibilidade e maior é ganho de luminosidade na foto. A escolha do ISO deve ser atenta a dois fatores que são Luz e Ação.

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Obs: Cuidado nas fotografias com acima de ISO 1600 , se a imagem ficar escura (subexposta) o ruído fica mais aparente, deteriorando a qualidade.

A escolha do ISO depende:

 • Das condições de luz do ambiente

Ex: Em um lugar mal iluminado você rapidamente regula uma grande abertura e uma velocidade adequada  o suficiente para garantir a nitidez da foto. Mas se a foto ainda está escura você tem duas opções que são usar o flash ou aumentar o ISO, como o flash interfere artificialmente para clarear a imagem, seu uso às vezes é dispensável. Aumentando o ISO você preserva a luz natural da cena.

Exemplo:

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F2.8 1/100 ISO 1600

Movimento

Em fotos de grande movimento, a prioridade por altas velocidades como 1/500 ou mais, mesmo com uma grande abertura pode não se atingir a exposição desejada. Para evitar que a imagem fique escura (subexposta) o aumento do ISO resolve o problema na maioria dos casos.

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Foto:  F2.8 1/200 ISO1600

Em teleobjetivas

Exemplo: numa objetiva 70-300 F4.5/5.6 .Na distancia focal de 70mm a abertura mínima será F4.5 e em 200mm F5.6 .Em um lugar mal iluminado ou com grande movimento o ISO auxilia no ganho de luminosidade permitindo o uso de velocidades maiores.

Ruído

Com o aumento do ISO uma série de desvantagens ocorre na qualidade final da imagem. À medida que o ISO aumenta, a uma elevação de carga no sensor faz com que ele aqueça e conseqüentemente surge o ruído,que são grãos de variadas cores ou de luminosidade alternada Ele aparece na imagem em forma de manchinhas aleatórias, sendo mai notável nas áreas escuras da imagem, que afetam negativamente na nitidez, cor e na textura, além de diminuir aos poucos a latitude exposição. A partir do ISO 1600 nas SLR e 400 nas compactas, ele já é visível. Cuidado, pois uma foto subexposta (escura) é mais sujeita a ter mais ruído do que uma com exposição adequada.

É importante lembrar que quanto maior a ampliação, o ruído fica mais visível. Outro fator que aumenta o ruído é uma longa exposição por ex: uma velocidade de obturador com mais de 15s ou mais. Existem vários softwares que permitem reduzir o ruído, inclusive na própria câmera. Esse tratamento na maioria das vezes é agressivo, danificando as texturas deixando a imagem “lavada” ou “plastificada”.O tamanho do sensor está diretamente ligado ao ruído também, quanto maior o sensor menos o ruído se torna presente. Ao contrário do que muitos pensam, o megapixel elevado combinado a um pequeno sensor, acaba forçando os fabricantes a usarem um tratamento pesado na foto e que prejudica a qualidade da imagem principalmente em ISO alto.

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Crop (recorte;fatia) em 100%

Diafragma,  Obturador e ISO Combinados

A exposição de uma foto será definida pela união desses dispositivos, possibilitando várias combinações para diferentes tipos de fotos. A idéia é captar a luz da forma mais adequada de acordo com a sua intenção.

Olhando no viewfinder ou no LCD da câmera, a indicação do fotômetro aparece como “EV” (Exposure Value ou valor da exposição) mostrada na régua da exposição. O Fotômetro embutido considera o valor EV 0 como o ideal. Iremos aprofundar logo adiante como fotometrar corretamente.

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Irei explicar através de alguns exemplos, como regular o diafragma (nº F), velocidade e ISO juntos. Vamos supor que você tenha uma lente 50mm 1.4 e deseja fazer um retrato de uma criança de cinco anos e ao fundo da cena uma paisagem interessante, você então analisa o que pretende priorizar na foto.

A criança está relativamente estável, ou parada ( situação 1 e 2 )

(1) Minha intenção é a criança focada, e com um desfoque atrás para realçá-la.Você já sabe que deve usar um “número F” baixo, focando a uma distancia razoável da criança para diminuir a profundidade de campo, aberturas como F2.8 ou F3.5 são suficientes. A grande abertura do diafragma aumentará a quantidade de luz e também a exposição da sua foto, podendo ficar clara demais (superexposta). Para equilibrar a exposição você ajusta uma velocidade rápida do obturador como 1/200 ou mais até equilibrar a exposição total da foto, com o fotômetro no visor da câmera com 0EV. Como a luminosidade está boa (dia bem claro) o ideal é usar o ISO100

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Note como o fundo da foto está bem desfocado  foto : F2.8 com 1/200 de velocidade  ISO100

(2) Se a intenção agora é focar a criança juntamente com a paisagem de fundo. Escolhendo uma pequena abertura (número F alto, como F10 ou mais) a profundidade de campo irá estender desde a criança até o fundo, priorizando o conjunto na foto.Como essa pequena abertura ocasionará uma redução na entrada de luz,observando isso você ajusta uma menor velocidade de obturador para aumentar o tempo de exposição e compensar a perda de luminosidade. Por exemplo, 1/100 ou um pouco menos.

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A criança está instável ou inquieta.

A velocidade do obturador aqui vai ter um papel mais importante, pois se você deseja congelar a imagem a velocidade inevitavelmente será alta ocasionando pouco tempo de exposição e talvez a flexibilidade de controlar a profundidade de campo torna-se menor.

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A criança está num lugar mal iluminado.

Novamente não temos muita escolha a não ser escolher um numero F pequeno (ex: F2.8), captando boa entrada de luz e velocidade média do obturador (1/60).Se mesmo assim a imagem ficar escura (subexposta) e com a criança tremida, é aí que entra o Flash.Permitindo então aumentar a velocidade do obturador para congelar a cena.

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Essa tabela deve ser lida de cima para baixo, todas essas combinações apresentam a mesma exposição.

Por exemplo, usando 1/60 com F5.6 você terá a mesma exposição que 1/1000 e F1.4 de diafragma

Tempo de exposição

1/2

1/4

1/8

1/16

1/30

1/60

1/125

1/250

1/500

1/1000

Abertura

32

22

16

11

8

5.6

4

2.8

2

1.4

 

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